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ABCA - Associação Brasileira de Capoeira Angola

Bora jogar?

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Publicado em Qua abril 2017
Escrito por Portal Capoeira
Bora jogar?

Vem jogar mais eu, vem brincar mais eu…

Jogar, brincadeira de Angola, até vadiar:

Nos cantos de capoeira há poucas referencias à luta ou à competição, mesmo que a gente saiba que “também é luta”. Agora, no discurso da capoeira, luta muitas vezes é mais usado no sentido metafórico: a luta contra o opressor, contra o mal, a resistência. E quantas vezes já explicamos para o leigo, o iniciante ou até o camarada de roda: “Sim, capoeira tem dança, tem luta, tem acrobacia, música, e tudo mais. Mas é jogo.”

Mas porque um jogo? Porque a gente gosta de brincar? Porque o nosso professor fala isso? Ou porque a gente lê isso em muitos livros escritos sobre ela?

Para entender porque a capoeira é um jogo, precisamos entender o que é um jogo. O que é um jogo, se a capoeira então é um?

Sim, a gente sabe o que é um jogo em termos de experiência. Também sentimos quando o jogo acabou, e se torna algo mais sério. Será então que o jogo não é serio? Que é um passatempo mesmo?

A palavra jogo é originária do latim: iocus, ou ludus, que significa brinquedo, folguedo, divertimento, passatempo; mas sujeito à regras.

Nas línguas germânicas, como também no anglo-saxão, spel, spiel ou play, vem do plegan, que quer dizer ‘exercitar-se, mover rapidamente’, e associado disto é ‘dançar’. E no anglo-saxão quer dizer ‘um jogo, desporto’, que vem do latino plaga ‘um golpe’. Existe mesmo a idéia de um ‘luta ritualizada ou dançada’ que faz parte de conotação de palavra de ‘jogo’.

Vemos o Webster Dicionário, jogo é: 1. Ação, moção ou atividade, especialmente livre, rápido ou leve. Leve contra o ‘peso’ do trabalho, livre contra o caráter necessário ou obrigatório de trabalho, rápido contra o estilo cuidadoso, refletido de rotina de trabalho. 2. Liberdade ou possibilidades de movimento ou ação. 3. Atividade feito para divertimento ou recreação – de novo, atividades não conectado com necessidade ou obrigação. 4 diversão, brincar – focar no caráter lúdico.[1]

Como vemos, a etimologia da palavra ‘jogo’, dá uma descrição da capoeira! Então, o jogo não é somente uma categoria, a onde a capoeira cabe, mas parece que a relação entre o jogo e a capoeira vai muito além; vendo a etimologia eles parecem até sinônimos!

 

Vendo o lado funcional da palavra jogo na sociedade, podemos entrar no campo sociólogo e educativo. A obra mais referencial em termos de jogo é Homo Ludens, de Huizinga[2]. Huizinga descreve a importância do jogo e da brincadeira como elementos necessários na produção da cultura e para a sociedade. Ele definiu o jogo como algo que: É livre, de fato é liberdade; Não faz parte da vida ‘ordinária’; É distinto da vida ordinária em termos de espaço e tempo; Cria ordem, é ordem, e demanda um ordem absoluta e suprema; Não é conectado com interesse material, não pode dar lucro ou vantagem.[3]

Quer dizer, que o jogo pede certas condições, um ordem, que pode ser traduzida como ‘regras’, mas que muitos mestres gostam de traduzir em ‘tradição’. Nas minhas entrevistas as diferenças entre ‘regra’ e ‘tradição’ são muitas vezes explicadas como a regra sendo algo imposto, até inventado, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto a tradição é alguma coisa voluntária, onde você entra porque você quer, que cria uma estrutura. Vendo a explicação da palavra ‘jogo’, podemos então entender melhor o porque se submeter a tradição: porque dá jogo!

 

Depois de Huizinga, várias obras foram escritas sobre o jogo e o aspecto lúdico, que se tornou então algo sério. E na educação e pedagogia já se sabe há muito tempo que a melhor aprendizagem acontece no jogo. Muitos gênios, criadores na sua área, na maioria do tempo ficaram brincando com a sua matéria, e assim descobrem novas maneiras, combinações e etc.

O importante do jogo é que ele proporciona uma aprendizagem significativa. Ele coloca o conteúdo aprendido num contexto a onde ele faz sentido. E assim funciona como uma ferramenta para aumentar o processo de auto-aprendizagem. Aprendemos e absorvemos melhor os conteúdos quando sentimos prazer em aprender.
Agora, há mais um outro ponto importante histórico e social porque a capoeira é um jogo: muitas vezes costumamos contrapor o jogo contra a luta: “Capoeira não é luta, é jogo.” A diferença principal entre os dois parece ser o aspecto lúdico; de fazer brincando. A luta não tem nada de lúdico não.

Num certo sentido, o lúdico nos faz rir das situações sociais, sem necessariamente nos dar um alternativa de comportamento. Ele não diz o que fazer, só nos mostra o ridículo. E isso é muito importante, para dar espaço para uma critica social.

E por isso a capoeira não se pode transformar em luta: a luta, destrói o jogo, (e então o lúdico) e com isso tira a possibilidade da critica social que a capoeira tem.. Quando vira luta, o que resta é a verdade única forçado pelo mais forte. E como o escravo já sabia, isto é o domínio do senhor, do opressor. Que não dá para encarar. Mas com malicia, mostrando humor e elegância, se pode enganar e assim derrotar o adversário. A verdade única tem o perigo de ficar tirânica: ela tem que ser balanceada com humor, com a gargalhada.

 

[1] Webster Dictionary, (1934)

[2] Huizinga, Johan (1938) Homo Ludens, Haarlem, Tjeenk Willink & Zoon N.V.

[3] Idem, p. 13

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